Quem arquitetou o destino não tinha medo do que acabara de inventar. Muito menos conhecimento. O simples pretexto de sentar e esperar a vida chegar não existe. A vida é muito mais que pão, leite e sofá. Cerveja e azeitonas não originam nada, além de satisfação social. Não se pode deixá-la passar enquanto você espera. Esperar dói, e demora a sarar. O mundo lhe aguarda, mas não espera muito. O tempo passa mais rápido que qualquer relógio. Mesmo aqueles adiantados. Ficar mendigando atenção enquanto não se relaciona com nada é passageiro. Mas leva muito mais que a vontade de ser e estar em determinado local. O segredo de uma boa vida idosa depende do que ocorre com a própria solidão. O que adianta ser um bom velhinho se o passado o condena? Se o passado o faz dormir com seus sonhos, mas acordar sozinho? O amor não se inventa. Constrói-se. Nada embolsamos ao interrompermos o tempo só para vê-lo passar. O tempo é hábil e se manifesta a cada esquina cheia de talentos e sentimentos. Acreditar sentado não existe. É preciso buscá-lo. O destino se ilustra em todos os lugares, mesmo os mais distantes, como a casa da frente.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Criaram a xoxota, como se pode ver:
Chegando na frente, veio um açougueiro,
Com faca afiada, deu talho certeiro.
Um bom marceneiro, com dedicação,
Fez furo no centro com malho e formão!
Em terceiro, o alfaiate, capaz e moderno,
Forrou com veludo o lado interno.
Um bom caçador, chegando na hora,
Forrou com raposa a parte de fora.
Em quinto chegou, sagaz pescador,
Esfregando um peixe, deu-lhe odor!
Em sexto, o bom padre da igreja daqui,
Benzeu-a dizendo: 'É só pra fazer xixi'.
Por fim veio o marujo, zarolho e perneta,
Chupou-a, fodeu-a, e chamou-a de buceta!’
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Jovem tarde
O mundo parece cair em água morna enquanto o futuro chega. Pessoas se sentam enquanto riem sobre assuntos absurdos. Pensamentos, palavras e gestos fogem sem olhar pra trás do que nos foi ensinado por nossas mães. Bons modos ficam do portão pra fora e são logo transformados em peso, aguardando serem carregados quando chegasse o momento certo.
A cerveja é gelada com o gelo. Gelo que embala as bebidas quentes sobre a mesa, que se esgotam com a velocidade de um olhar, enquanto cigarros são acesos aos montes. De todos os tipos eles passam de mão em mão até serem consumidos em idéias e conversas. A cabeça funciona mais rápido que a boca enquanto vozes são ouvidas umas mais altas que as outras, como se fossem educadores em uma palestra. Claro: Quando um burro fala o outro abaixa as orelhas. Talvez o que mais se comunicava era aquele que não movia uma palavra.
Assim pareciam crianças. Felizes por viverem o dia delas. Cada olhar cruzado virava intenso desejo de anos atrás. Abraços modificavam em silhuetas dançantes iluminadas por luzes que não existiam.
E foi assim até o dia se escurecer, ofuscando o que há pouco era claro. Tão claro como o sentimento que se fez há anos e se transformou de dança em beijo consumido. Beijo esse carnal, afinal, o sentimento não poderia ali ser demonstrado. Era provável que muita coisa aconteceria. O beijo, o olhar. Era como se tudo já houvesse acontecido e decorado por todos os que embalavam o encontro, transformando a tentativa no fracasso, que pra outros virava vitória, vantagem, triunfo. Afinal pra que temos boca, senão para beijar?