segunda-feira, 28 de setembro de 2009


Ele observava seu jeito de viver de forma autoritária, hiperativa e imperativa. Queria consertar isso nela e sabia todas as pistas de como e onde o fazer. Parecia mais um labirinto sem saída, mas, no fundo, era mais fácil que um mapa do tesouro com passos cuidadosamente contados. Ela o queria e sentia falta. Seguia seu olhar ao mesmo tempo em que desviava quando os olhos se defrontavam com sede de sorrisos de canto de boca. Passaram três dias juntos. Não sozinhos, mas era como se fosse, embora ela o ignorasse de forma artificial. Ninguém percebeu, mas não havia problemas. Não era preciso ninguém entender o que, de uma forma ou de outra, era subentendido. Eles eram tantos, mas ela era apenas uma. Era pra ela que ele olhava. Era pra ela que ele seguia e, talvez, por ela que ele vivia. Não importavam as outras. Percorria com olhares impiedosos o corpo de outras tantas, mas nada ali faria diferença. Despediram-se com um demorado e apertado abraço como uma promessa de que, em breve, algo se formaria, mesmo sem saber o quão breve esse breve seria. Fato é que ela estaria pensando nele nesse exato momento e no próximo. Ele não. Passou, passou. Foi só um susto.